As fotos abaixo foram tiradas ontem no desfile da empresa PH Moda Praia, no Shopping Park Lagos. No início, tratou-se daquele desfile tradicional, meninas belas, altas e magras, nada muito incomum. Quase no final, adentram ao recinto três modelos distintas das demais, mas igualmente reverenciável. Eu vibrei com o desfile das meninas, achei de uma diversidade incrível. Por que as chamadas gordinhas não podem exercer o seu direito de ser diferente das demais, de escolher não ter o corpo “marombado”, delineado pelas “curvas de Santos”, rs?! Por que há uma cultura quase que opressora nos impelindo para o "fitness", nos impondo, através do psicológico, um modelo de vida que, muitas das vezes, não queremos. Por que a sociedade implica com tudo aquilo que foge ao seu padrão de normalidade. A beleza e a saúde corporal se tornaram produtos de alto custo: psíquico, financeiro e moral. É como se “as gordinhas” não pudessem ter autoestima elevada, pior, como se a opinião favorável de si mesma fosse um benefício restrito aos que cultuam seus corpos de forma irretocável. Dirão: a obesidade é uma questão de saúde e eu retrucarei sob o fundamento de que, ainda assim, trata-se de uma questão pessoal, que não merece a ingerência de ninguém, senão da própria pessoa. Estamos tão domesticados a seguir um padrão designado por um Estado, por uma religião, por grupos dos mais variados segmentos, que nos anulamos em favor de uma opinião geral que falsamente busca um bem estar social. Um bem que se presta mais a segregar, a romper a sociabilidade do que qualquer outro fator. Podemos conviver com os mais diversos padrões de beleza, respeitando a liberdade e individualidade de cada um. Enfim, parabenizo à organização do desfile, à proprietária da predita empresa, que, na verdade, nem conheço, mas já estimo pela bela iniciativa de quebrar estes paradigmas ultrapassados e romper a barreira do exclusivo sinônimo, quase que irrevogável, de beleza.


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